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Quem tem medo da maternidade no mercado de trabalho?

No Dia das Mães, discutimos com as mulheres do nosso time porque empresas ainda possuem práticas questionáveis em relação à maternidade.

Rodrigo Goldacker
Quem tem medo da maternidade no mercado de trabalho?

Era um dia da semana, meio da tarde, com assunto importante o suficiente para uma reunião presencial. Cintia Santana conta que estavam todos a postos, prontos para iniciar os trabalhos, quando a sócia Fernanda Borges chega com acompanhante: “Ela foi com a filha de meses, pendurada num sling”, lembra. Acabou com o clima profissional? “Claro que não. Foi uma das melhores reuniões presenciais que tivemos.”

Infelizmente essa ainda não é a mentalidade do mercado. Na maior parte das empresas convencionais, mulheres enfrentam dilemas diários quando optam por ser mãe sem ter que abandonar a carreira.

Quase metade é demitida após a licença-maternidade

Aproveitamos o Dia das Mães para discutir o assunto com as mulheres com filhos que trabalham na PYXYS. De acordo com nossa head de Gente & Cultura, a psicóloga Roseane Santos, as mulheres representam 42% do time. Dentre elas, 53% são mães. Nos cargos de liderança, esse número sobe um pouco mais, para 57%. E, dos quatro sócios, três são mulheres com filhos de até 8 anos.

Um dos maiores desafios que as mulheres com filhos já enfrentaram em trabalhos anteriores é superar a expectativa dos colegas e da chefia, que pode vir carregada de crenças como “ela não será mais a mesma” ou “não terá o mesmo comprometimento com a empresa”. Um dos exemplos mais evidentes é a reação às licenças-maternidade. “Em muitas empresas, a mulher volta da licença e, após o período de direito, acaba sendo desligada do quadro de funcionários”, diz Roseane. 

Um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas em 2016, The Labor Market Consequences of Maternity Leave Policies, comprovou que, após 24 meses, quase metade das mulheres que tiraram licença-maternidade foram convidadas a deixar o mercado de trabalho. Foi o que aconteceu com nossa head de Administrativo, Aline Katzulo, em seu emprego anterior. “O jeito que te tratam já muda na gestação. Trabalhei durante toda a gravidez e, ainda assim, fui desligada logo que voltei da licença”, conta.

Já Cíntia Santana, sócia e CGO da PYXYS, foi logo alertada por um chefe no começo da carreira. “Ele me aconselhou que, se eu quisesse ser mãe, teria que ser bem mais tarde para não acabar com a minha vida profissional”, lembra. O tal chefe ressaltou para ela – na época, com 20 e poucos anos – que “a vida da mulher tem uma curva e que é necessário alcançar o auge antes de ser mãe”. “Depois, ele me disse, só seria ladeira. Isso me frustrou bastante, mas também me deixou feliz porque estava para pedir demissão naquele dia”, conta.

A gestação também pode impactar no processo seletivo. Fernanda Borges, atualmente CFO e sócia da PYXYS, foi descartada quando soube da gravidez. “Estava num processo seletivo para um cargo que teria que viajar bastante quando descobri que seria mãe. Avisei que ia desistir do processo e a empresa simplesmente acatou”, lembra. Alguns dias depois, ela começou a negociar com a PYXYS. “Quando me chamaram para trabalhar aqui, avisei que estava grávida de duas semanas. A resposta que recebi foi um “que ótimo!”. Isso me deu muito mais vontade de fazer parte do time”, ressalta.

Como sócia da startup de inteligência digital, Fernanda Borges e as parceiras Cíntia Santana e Carolina Gotschalg se dedicaram em implantar um modelo de gestão que leve em conta as mães colaboradoras da PYXYS. “A pessoa pode tirar o tempo que achar necessário para ficar com o filho. Basta combinar com os gestores da área a data de sua volta ao trabalho”, completa a head de Gente e Cultura.

A cobrança de ser perfeita

A pressão pela dedicação exclusiva é o que leva mais mulheres a desistirem de um dos caminhos: ou deixam de ser mães para focar na carreira ou desistem da carreira ao se tornarem mães. É o que mostra uma pesquisa da consultoria Mãe Corporate em parceria com o Movimento Mulher 360, de 2019. Dentre as 4 mil profissionais ouvidas, de 13 grandes empresas brasileiras, 80% consideraram abandonar a carreira ao terem filhos. Para Aline, por exemplo, um dos maiores desafios foi “aceitar que não tem motivo para o sentimento de culpa, já que não dá para ser 100% em tudo o tempo todo, sendo mãe ou não”. “Sou uma ótima profissional, mesmo se não puder participar de uma reunião porque meu filho está doente”, ressalta, e completa: “E sou uma ótima mãe, mesmo se eu tiver que pedir pro meu filho me dar um tempo para trabalhar.”

Não só é possível conciliar a maternidade com a carreira como o melhor momento profissional pode acontecer em sincronia. Foi o caso da nossa head de Jurídico Carolina Artigas. “Um dos momentos mais legais da minha vida profissional veio depois que minha filha nasceu. Ela tem três anos: mesmo tempo em que trabalho para a PYXYS”, destaca a advogada, que se especializou na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) depois que a menina nasceu e durante a pandemia de Covid-19. Para Carolina está claro: “Tornar-se mãe não quer dizer que a mulher vá deixar de lado qualquer outra de suas facetas. Ser mãe importa, mas importa também ser mulher, ser profissional, esposa, amiga”, ressalta.

Um trabalho 24/7, sem folga

Se a maternidade é uma função sem descanso, que exige presença constante, o trabalho remoto – modelo adotado por boa parte das empresas durante o isolamento social, por conta da pandemia – pode ser uma alternativa para investir na carreira sem deixar de acompanhar mais de perto a educação das crianças. Porém, há controvérsias. “No começo, era um estresse fazer minha filha dormir para entrar em reunião”, lembra Fernanda. A demanda dos filhos durante o horário de trabalho às vezes é desafiador: “Trabalhar fora de casa pode até servir para relaxar”, brinca, endossando Ellen Gotschalg, nossa Gestora de Projetos: “Amo meus filhos, mas às vezes eu só queria estar num escritório como fuga, tendo um pouco de tempo para mim”, confessa, rindo da situação.

Há uma saída para amenizar a rotina em home office: ter flexibilidade de horário. Quando o trabalho remoto é implantado em todo o seu potencial – inclusive para contemplar profissionais que moram em outros países, com outros fusos horários -, a empresa aprende a ser produtiva sem ter um horário comercial, das 8h às 18h. É o que Fernanda recomenda para lidar com a concorrência de atenção entre crianças e trabalho. “Com flexibilidade de horário, como temos na PYXYS, fica muito mais fácil. Aqui em casa, eu e meu marido combinamos quem trabalha em cada momento do dia para dividirmos o tempo de cuidar das meninas.” 

Dica essencial para a mudança de mentalidade

Como uma startup que busca soluções inovadoras, não fazia sentido para a PYXYS repetir erros habituais do mercado tradicional. Dentre eles, replicar o preconceito em relação à maternidade. Responsável por desenvolver a cultura da empresa, a psicóloga Roseane Santos explica que tipo de ações rotineiras servem para melhorar a visão que o mercado tem sobre a atuação profissional de mulheres com filhos: “Nas reuniões online, não tem problema uma criança aparecer e interromper por um momento. O contrário: é sempre uma pausa de alegria”, conta. Mas isso exige a compreensão dos colegas: “Se existem empresas em que seria um tabu, por exemplo, uma pessoa falar que precisa desmarcar uma reunião porque seu filho está doente, aqui na PYXYS não é incomum as mães do time se sentirem confortáveis para falar abertamente dessas situações”, conta a psicóloga.

Essa compreensão, aliás, torna o ambiente de trabalho mais leve e acolhedor, o que também impacta no aumento da produtividade e no comprometimento com o trabalho. “Aqui sempre tive espaço de escuta e acolhimento. Recentemente, precisei me ausentar de algumas reuniões porque minha filha estava em processo de adaptação na escola. Todo mundo foi muito solícito e não afetou o trabalho. Isso é bonito porque mostra a preocupação de entender as pessoas como um todo”, destaca Carolina. 

Essa rotina não é comum no mercado. A maior parte dos relatos é de uma necessidade de apartar os filhos do ambiente profissional. “Em outras empresas, era muito nítido como não era bem aceito ser mãe. Lembro que já vi olhares feios lançados a mães que saíam para buscar filhos na creche, por exemplo. Aqui na PYXYS, existe espaço para falar “desculpa, meu filho está chorando, preciso sair”, encerra Fernanda.

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