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O Quiet Quitting é um problema ou uma solução para a produtividade?

Mais produtividade não significa menos qualidade de vida. Ou ao menos não deveria significar.

31.08.2022

Uma discussão sobre produtividade e trabalho tomou a Internet nas últimas semanas graças ao termo Quiet Quitting, que entrou em pauta como uma polêmica. O termo que basicamente significa “demissão silenciosa”, surgiu no TikTok para descrever o comportamento – principalmente de jovens – que, insatisfeitos com as pressões do trabalho e focando em sua saúde mental, passam a entregar o mínimo necessário, expressando silenciosamente o desejo por uma demissão.

A discussão teve dois lados: de um, daqueles que criticam o Quiet Quitting como uma prática perigosa para a produtividade das empresas; de outro, daqueles que defendem que trabalhadores assumam essa postura.

Mas existe mais por trás desse assunto todo do que parece. Para começar, o próprio termo Quiet Quitting já é um pouco problemático – e vale a pena refletir sobre o que ele significa e sobre o que nos diz sobre nossa cultura de trabalho.

Entregar o mínimo é ruim?

Para começar essa discussão, vale considerar: por que a ideia de Quiet Quitting pode ser polêmica e por que ela incomoda tantas pessoas, para início de conversa? O que “entregar o mínimo” significa e o que que é contrário a esta ideia espera além disso?

Ambientes que estão acostumados a exigir “o máximo” de seu time são ambientes em que o esperado não é combinado. Teoricamente, o mínimo é o que deve ser mantido em conta para que a operação siga funcionando bem – e se esse mínimo foi mensurado e todas as partes chegaram a um acordo a respeito, qual exatamente é o problema?

O Quiet Quitting, nesse sentido, é de certa maneira uma reação à epidemia de problemas de saúde mental, ansiedade, estresse e principalmente Burnout que a cultura do “entregar o máximo” trouxe ao mercado brasileiro: 30% dos brasileiros que trabalham já sofrem com algum problema de Burnout.

Os relatos de Quiet Quitting, inclusive, demonstram uma situação curiosa: em muitos deles, o que acontece quando as pessoas trabalhando passam a “entregar o mínimo”? Absolutamente nada. Elas continuam trabalhando, sendo reconhecidas – e a empresa continua tendo o mesmo retorno. O que se deixa de fazer é atender às demandas improdutivas (o “algo a mais” que fariam além do mínimo muitas vezes nem era necessário). 

Os ganhos estão principalmente na saúde mental de quem passa a agir assim, pois quem pratica o “Quiet Quitting” deixa de sofrer e se estressar com demandas além das que lhe são exigidas pela função que cumpre – e quem está menos estressado tem mais probabilidade de se manter na empresa por mais tempo. Quiet Quitting, nesse sentido, é quase uma medida de sustentabilidade para quem trabalha e pode evitar demissões reais ou que funcionários tenham que se tornar realmente improdutivos ao apresentarem uma licença médica por Burnout.

Dá pra ser produtivo e ter bem-estar?

O próprio fato dessa pergunta fazer sentido já mostra muito sobre a cultura de trabalho que temos. A produtividade que pode se manter por longos períodos, aquela de quem faz parte do time durante anos sem nunca querer ir embora, é justamente essa que coexiste com o bem-estar. Uma produtividade que é otimizada para garantir a qualidade de vida de quem trabalha é a única produtividade real.

Um exemplo é o da produtividade no home-office: conforme discussões começam a aparecer, com a pandemia que vai embora e a retomada econômica que se inicia, sobre como e onde manter o trabalho remoto daqui para frente, um dos argumentos que costuma aparecer é justamente o da produtividade: os críticos do modelo garantem que é inviável manter um time remoto com a mesma produtividade de um time presencial.

Quem discorda? Para começar, os dados e os próprios trabalhadores. 78% dos brasileiros se sentem mais produtivos trabalhando remotamente (segundo pesquisa da Pulse para a VOCÊ S/A).  Não só isso, a dificuldade de se desconectar do trabalho e parar de trabalhar é maior para quem trabalha em casa: 44% dos que trabalham em home-office dizem ter dificuldades para relaxar, em comparação com 38% de quem trabalha presencialmente (dados da Cardiff University).

A discussão é menos sobre se é possível ou não ser produtivo – é mais sobre como ser produtivo e como ganhar qualidade de vida com isso. Uma produtividade insustentável (o “fazer o máximo”) pode trazer ganhos de curto prazo, mas acaba com alguém afastado, ou indo embora do time. Uma produtividade mais aproximada do modelo de Quiet Quitting, em que se entrega o mínimo e em que demandas são passadas com transparência, é mais eficiente a médio e longo prazo. Basicamente, o famoso “combinado não sai caro” – e seguindo o combinado todo mundo sai ganhando: empresa, cliente e trabalhador.

Entregar o mínimo não deveria ser polêmico, muito menos a base de uma “demissão silenciosa”. Quando o mínimo é definido direito, é exatamente o que se é esperado e o que se deve entregar. 

Essa conversa não acaba aqui

Quer saber mais sobre produtividade otimizada para mais qualidade de vida? E como é possível adaptar sua vida para ser produtivo também remotamente, sabendo a hora de desligar e entendendo até onde precisa entregar?

Para falar mais sobre como ser produtivo com bem-estar, otimizando sua rotina para ganhar mais qualidade de vida, convidamos Luccas Goés, criador do Método Naghol, para uma live imperdível. Com o tema “Produtividade e Qualidade de vida”, vamos falar sobre os desafios e maneiras de ser produtivo sem pirar – e como ser produtivo pode fazer bem, quando feito da maneira correta. Se você quer participar dessa discussãao, pode marcar aí na sua agenda: vai ser no dia 01 de setembro, a partir das 17h, lá no instagram da PYXYS.

Até lá!

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