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Sua empresa precisa de conflitos para ser criativa

Ambientes em que conflitos podem aparecer e ser solucionados geram mais segurança para o time e, consequentemente, mais criatividade

Rodrigo Goldacker
Sua empresa precisa de conflitos para ser criativa

Qual é o melhor jeito de lidar com conflitos? Será que a resposta é mesmo evitá-los, ou será que é melhor olhar para o problema de frente e tentar resolvê-lo? Pelo que já abordamos por aqui, empurrar o conflito para baixo do tapete acaba piorando o problema: paranoia, insegurança e medo de se expressar são só algumas das consequências negativas de agir assim.

“Se não incentivamos as pessoas a se colocarem, a terem diálogo aberto, teremos pessoas que não estão ali de verdade, que precisam concordar com tudo, mesmo sem acreditar naquilo”, comenta nossa head de Gente & Cultura, Roseane Santos.

Um lugar assim, em que as pessoas falam coisas em que não acreditam e sentem medo de se expressar, não parece exatamente propício para a criatividade, não é? 

Por isso, é importante encontrar novas maneiras de falar mais abertamente sobre conflitos.

Mas como? É possível lidar com conflitos de uma forma aberta, sem que eles descambem numa discussão?

Conflitos como força motora

Em uma live que a PYXYS realizou no Instagram com Mariana Marques, coordenadora do Centro de Direitos Humanos, tentamos encontrar caminhos para que conflitos sejam produtivos – e para que aprendamos a lidar com eles de uma maneira mais saudável.

Para começar, levantamos um estudo sobre o tema: com base em quase mil entrevistas com trabalhadores de organizações públicas e privadas, chegou-se à conclusão de que, realmente, um ambiente só pode ser criativo se for seguro e, por sua vez, um ambiente só pode ser seguro se souber lidar corretamente com conflitos.

Rosane explica: “De acordo com o estudo, o conflito pode ser entendido como uma espécie de força motora do desenvolvimento social. Quando conflitos são abordados de maneira saudável, as pessoas se tornam mais criativas e engajadas.”

Como você está se sentindo?

Já entendemos a importância de lidar com conflitos de uma maneira mais saudável. O problema agora é: como fazer isso?

“Uma das perguntas básicas da comunicação não-violenta é: como você está se sentindo?”,  foi uma das dicas de Mariana. Especialista em intermediação de conflitos em círculos de justiça restaurativa, ela destacou a comunicação não-violenta como uma possibilidade e trouxe algumas dicas para lidar com conflitos de uma maneira mais sensível e eficiente.

O foco do diálogo com abertura, essa capacidade de observar os próprios sentimentos e  o exercício de se colocar no lugar dos outros: esses são alguns dos caminhos para construir uma comunicação que aborda conflitos explicitamente, mas que possa resolvê-los sem gerar desgastes e com todas as partes se sentindo ouvidas.

“Essas atitudes constroem um ambiente de diálogo. Mais importante ainda, assim as pessoas passam a saber que não só podem falar, mas que também terão o que dizerem reconhecido como um ponto de vista legítimo”, Mariana ressaltou.

Cinco dicas para lidar com conflitos

Não só aprendemos por que lidar com conflitos é importante, como em nossa live saímos até mesmo com uma listinha de dicas que podem ajudar a fazer isso. As dicas que Mariana deu são as seguintes:

  1. Estar presente
    É importante sempre doar-se em atenção, com foco total no que está sendo dito. Mas essa presença e atenção deve ser ainda maior em uma intermediação de conflitos. Só assim é possível captar todas as nuances envolvidas e deixar evidente para todos os envolvidos o quanto nos importamos com as perspectivas de cada um.
  1. Colocar-se no lugar do outro
    O seu ponto de vista é a verdade em que você acredita, mas o outro tem um outro ponto de vista e também uma outra verdade. Colocar-se no lugar da outra pessoa e tentar olhar a partir do ponto de vista dela, buscando compreender por que aquilo faz sentido para a perspectiva dela, é exercitar uma comunicação empática que facilita muito a resolução de conflitos.
  1. Procure fazer perguntas abertas
    Um exemplo: ao invés de perguntar o motivo pelo qual alguém fez algo no passado, pergunte o que a pessoa aprendeu a partir do que fez e como pretende agir no futuro. Perguntas abertas convidam a mais reflexões sobre o assunto, já que não limitam as respostas, trazem maior variedade de respostas e não geram a sensação de julgamento por parte de quem pergunta.
  1. Observe, ao invés de julgar
    Tente entender e identificar tanto os seus sentimentos e necessidades, quanto os sentimentos e necessidades dos outros. Em falas nervosas daqueles com que você convive, procure identificar a causa e o pedido que está por trás da insatisfação que a pessoa estiver expressando.
  1. Saiba pedir
    Melhor do que não dizer e tangenciar com indiretas, é comunicar explicitamente qual é sua necessidade. Articular pedidos é ótimo porque mostra o que precisamos de maneira honesta e transparente e ainda é uma forma de abertura. Sempre ficamos atentos ao ouvir pedidos de alguém.

Quer saber mais?

A live que realizamos com nossa head de Gente & Cultura, Roseane Santos, junto da Mariana Marques, coordenadora do Centro de Direitos Humanos, está disponível na íntegra em nosso perfil do Instagram. É uma conversa imperdível para quem se interessa no assunto porque aprofunda muito do que abordamos nesse texto. Vai lá conferir!